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Mal Secreto
Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;
Se se pudesse, o espírito que chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!
Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo
Como invisível chaga cancerosa!
Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja aventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!
CORREIA, Raimundo. Mal secreto. In: ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Raimundo Correia: textos
escolhidos. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, [s. d.]. Poema integrante de Sinfonias, publicado
originalmente em 1883. Acesso em: 6 out. 2026.
Publicado em Sinfonias, em 1883, “Mal Secreto” integra a produção de Raimundo Correia, autor associado historicamente ao Parnasianismo brasileiro. A própria Academia Brasileira de Letras registra que, a partir dessa obra, se torna perceptível o direcionamento parnasiano de sua poesia, marcado pelo rigor formal.
Considerando simultaneamente a construção formal do soneto e a temática desenvolvida, a inserção do poema nesse contexto literário é melhor compreendida porque ele